Sobre Psicologia e Neurociência na Gestão de Pessoas



O que acontece com o nosso cérebro quando estamos frente a decisões
importantes que envolvem outras pessoas?
Quão racionais ou emocionais são nossas decisões?
A poucos anos não éramos capazes de responder tais perguntas
hoje com um progressivo avanço de técnicas para observar o cérebro
humano
começamos a esboçar respostas e tornou-se possível
uma promissora parceria entre a neurociência e à gestão de pessoas
convidamos Pedro Calabrez, professor da ESPM e sócio da NeuroVox,
especialista em psicologia e neurociência para conversar conosco sobre este tema
eu sou Thiago Santos
e este é mais um Conversações
Pedro, é um prazer receber você aqui para conversar com a gente a respeito
um pouco de neurociência e psicologia
Você é especialista em psicologia e neurociência, como essas duas disciplinas
podem auxiliar
os gestores públicos em sua atuação no dia a dia?
Thiago, obrigado por me receber
É um prazer estar aqui conversando contigo
respondendo à sua pergunta
quando você
tenta entender o que é a psicologia e a neurociência
na raíz da psicologia e da neurociência
tem uma questão que é o comportamento humano
e o comportamento humano ele deriva
dos processos mentais que estão ai.. dentro da nossa cabeça
essa voz interna que acaba nos movendo
e fazendo com que a gente viva
é óbvio que
se você é um gestor
você lida com pessoas
raras são as profissões que elas são
absolutamente solitárias
Aliás, praticamente nenhuma
Então, ser um gestor é lidar com pessoas e portanto se você quiser lidar bem,
se você quiser a eficácia, se você quiser
ter um processo de gestão de pessoas que seja efetivamente
eficiente
é fundamental que você entenda essas duas coisas, o comportamento e os
processos mentais
logo, parece até óbvio
que o progresso na neurociência e o progresso na psicologia
ele traz contribuições gigantescas
pra gestão de pessoas porque ele traz contribuições gigantescas
para o entendimento
de porque as pessoas são como são
por que elas agem como agem
quais são os processos que levam as pessoas a se relacionar de certas
maneiras e não de outras
como que as pessoas se engajam perante uma causa
ou perante um projeto
o que leva as pessoas ao estresse, a ansiedade
no trabalho
e também evidentemente na vida pessoal o que leva as pessoas por um outro lado
a desmotivação
ao tédio
que faz com que as pessoas não entreguem tanto resultado dentro da empresa e
é claro que todos desejam saber
o que faz com que as pessoas vistam a camisa
o que faz com que as pessoas lutem efetivamente pelos projetos que a
empresa
ou a instituição seja ela qual for está oferecendo a elas
tudo isso
envolve comportamento, tudo isso envolve gente
e obviamente o fator a gente ele é um fator altamente estudado dentro da
psicologia e também
das neurociências
Mas o gestor não sendo um especialista no assunto
como que a neurociência pode
auxilia-lo? Quais são os tópicos que a ciência
da psicologia, como que ela pode influenciar a atuação desse gestor?
Ótimo
A questão é assim
ninguém precisa de um doutorado em psicologia e neurociência para
entender alguns princípios
a respeito do comportamento humano
eu costumo brincar
e dizer que todo mundo é um pouquinho psicólogo ou pelo menos todo mundo
gostaria de ser
porque, por ser uma ciência que ela lida com a mente, o cérebro e o
comportamento e as relações entre essas três coisas
ela lida com aquilo que é mais humano com aquilo que é mais nós
alguns princípios eles são altamente complexos e efetivamente você
deveria estudar muito tempo pra conseguir compreendê-los, outros não
ou pelo menos as conclusões, as grandes conclusões chave que nós temos hoje
elas são perfeitamente compreensíveis
por diversas pessoas
não somente aos cientistas, tido alguns exemplos disso
e acho que um dos mais importantes nos últimos 20 anos é a questão
da emoção, é a questão do papel dos processos afetivos no comportamento
humano
a gente vive uma tradição filosófica
que data pelo menos desde platão então dois mil e quinhentos anos atrás
de que a racionalidade
ou seja processos intelectivos, eles são uma coisa
e os processo emocionais são outra coisa completamente diferente
então você parece que tem duas esferas diferentes do comportamento humano e dos
processos mentais que são: os afetivos e os racionais e eles estão
em um universo separados
quando
eles se misturam muita gente acha que é problema
então..o dever, dizia platão
de um homem que ele quer viver bem
é governar a suas emoções com o seu intelecto, com a sua racionalidade
Vem aristóteles e diz que o ser humano é um animal racional
e é claro, você tem toda uma tradição de filosofia desde então
Kant, Sartre e tantos outros
grandes pensadores dizendo que o ser humano é um animal racional e que a
racionalidade não só define o ser humano
como ela quase um dever moral de quem quer viver bem
e nos últimos 30 anos
especialmente no campo das neurociências a gente percebeu que a
coisa não é bem assim
então em primeiro lugar
a gente sabe hoje que
o sujeito que
tem lesões cerebrais que causam déficits emocionais
lesões cerebrais que fazem com que esse sujeito não consiga produzir emoções
normalmente
isso vai fazer com que esse sujeito ele não consiga também
funcionar racionalmente
a lesão
é uma lesão que prejudica a emoção mas o resultado muitas vezes
é o fato de que o comportamento do sujeito
ele deixa de ser
racional
então em outras palavras resumidamente a gente sabe hoje
quando você danifica emoção você prejudica racionalidade e portanto
como dizia Platão não são duas esferas
diferentes
pelo contrário são duas coisas que são intimamente ligadas e quando
você trás isso para a esfera da gestão de pessoas existe uma questão fundamental
que é porque que você trabalha, porque que você levanta de manhã,
o que te leva
a saída tua cama
o que te leva a entra no teu carro e a dirigir até o escritório e
trabalhar e por aí vai
e se você imagina que é só dinheiro
a gente tem um sério problema porque por quê vai chegar uma hora então que
o sujeito ele vai ter uma oferta melhor e vai largar o cargo dele por
causa só do dinheiro
e será que é só isso? e é evidente que não, é evidente que vestir a
camisa da empresa, vestir a camisa da instituição à qual você trabalha
lutar de forma engajada
é um processo que envolve emoção e o gestor tem que entender isso
só que para entender emoção
é importante entender que emoção ela se produz de uma maneira que é
subjetiva
que ela é individual
então.. não dá pra você por exemplo presumir
que você sendo um chefe, por exemplo
presumir que as pessoas que trabalham pra você
elas sentem da mesma maneira que você
é um processo que é afetivo
é semelhante à gostar ou não de comida japonesa
tem muita gente que gosta
muita gente que não gosta
se eu que gosto de comida japonesa viro pra uma pessoa que não gosta e digo olha:
'você não sabe o que é bom' a pessoa vira pra mim fala pra você que não
sabe que gosta daquela coisa mole, fria sem graça e por aí vai
e aí não, você que não sabe, você que não sabe, a gente vai ficar
eternamente nessa discussão porque
uma discussão entre questões subjetivas. Gerir pessoas é entender
que os perfis afetivos de cada um dos teus colaboradores eles são distintos
você tem que abordar cada perfil de maneira distinta
pra quê, pra que você ofereça para aquele cara
desafios que efetivamente façam sentido
afetivamente
que tornem engajado
que façam com que o sujeito ele
se sinta empoderado para efetivamente entregar resultado
então esse é um exemplo
tá de uma coisa que o gente entende melhor por conta dos avanços
científicos
mas que é perfeitamente compreensível
por qualquer um. Seja um gestor público, um gestor privado, não importa
Pedro então muito obrigado
Conversei agora com Pedro Calabrez, professor da espm
especialista em psicologia e neurociência
na próxima semana
continuaremos a conversa falando sobre por que é tão difícil mudar
Até lá
sim

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